repete roupa!: semana 14 - vamos falar do que significa simplificar a vida, tipo, de verdade

sexta-feira

semana 14 - vamos falar do que significa simplificar a vida, tipo, de verdade

OU: meu passo-a-passo pessoal pra engrenar o cérebro e entender os porquês todos do consumo minimalista e da vida sustentável

OU: é muito louco como todas as coisas tão relacionadas (especialmente as que nos fazem mal)



embora eu quisesse simplificar a minha vida e ser menos nociva pro mundo e pra sociedade já há algum tempo, eu só realmente percebi que eu queria isso bem depois. os meus primeiros passos em direção a isso não foram exatamente pensando em sustentabilidade nem em minimalismo, mas eles me trouxeram até aqui, e agora consigo rever minha trajetória e entender como muita coisa aparentemente independente está na verdade muito entrelaçada, e como os mecanismos da sociedade pra manter a gente no ciclo do consumo penetram muitas áreas da nossa vida e da vida no planeta em geral.

hoje eu queria mostrar pra vocês qual foi meu caminho até agora (e vejam bem, tô no começo ainda), e como esse caminho me mostrou que nosso consumo exacerbado contribui pra nossa baixa auto-estima, pra nossa desorganização, pra gente acreditar que precisa de coisas supérfluas, pra continuidade da ditadura da beleza e dos papéis de gênero... então queria mostrar aqui como eu comecei meu caminho, o que descobri até agora, e que melhorias estou vendo por enquanto.




1. no início era apenas uma questão de auto-estima


comecei a perceber o quanto dos meus esforços pra me sentir bonita tomavam meu tempo e me impediam de viver minha vida por completo. era esmalte, maquiagem (base batom blush delineador rímel), franja frequentemente aparada pra que minha imagem passasse uma certa mensagem exata que eu queria que as pessoas entendessem como "eu", cabelo alisado com secador e chapinha, vários pequenos rituais que eu por muito tempo entendi como "normais", como parte da vida de ser mulher. mulher acorda, escova os dentes, lava o rosto passa maquiagem faz chapinha trabalha pega ônibus etc. era como se essas camadas de máscara que eu colocava pra me sentir bem e segura frente a outras pessoas fosse parte da minha higiene, dos meus hábitos profissionais, parte do meu lazer... 

a primeira coisa que eu parei de fazer, lá em 2013, foi a tal da chapinha. vocês me desculpem a modéstia falha, mas meu cabelo é mara. entender que não há nada de errado com o jeito que meu cabelo sai da minha cabeça na época foi game changing pra mim. ainda continuava alisando a franja porque ela ainda era parte dessa imagem que eu queria projetar, mas passar a deixar o resto do cabelo em paz foi tipo GIVE ME AN AMEN. antes disso eu já tinha eliminado o esmalte da minha vida, um treco que eu sempre odiei, que a gente gasta tempo e dinheiro pra fazer, que no dia seguinte já ta uma bosta, e aí além de tudo tava numa época de febre de esmaltes de todas as cores e eu sentia que precisava sempre inovar e surpreender e, gente? só de pensar me dá preguiça. 

depois disso comecei a largar a maquiagem, passei a me achar muito mais bonita sem batom, sem base "uniformizando minha cor e escondendo minhas imperfeições" (primeiramente: QUE imperfeições? fala sério. segundamente: por que raios eu acreditei quando ouvi por aí que preciso esconder seja lá o que for que tem na minha cara? give me a break), parei de usar lente de contato (que era um treco que me incomodava, me dava preguiça, mas eu usava porque, sei lá, óculos é do mal por alguma razão), e finalmente deixei a franja crescer. 

nunca me senti tão bonita, tão eu mesma, tão leve e tão livre.

2. depois virou uma reflexão sobre tudo que me incomodava na minha vida
oxi, se me livrar de um monte de baboseira estética que eu odiava mas me forçava a usar porque achava que precisava me fez tão bem, não soava mal começar a olhar pro resto e identificar onde mais eu podia melhorar. e curiosamente, quanto mais eu olhava, mais eu notava que a resposta estava no mesmo movimento que tive na questão da auto-estima: me livrar do que eu fazia e tinha só porque achava que a vida era assim mas que não me beneficiava. ou seja, LET'S MARIE KONDO THE SHIT OUT OF THIS LIFE. e eu nunca nem li nenhum livro dessa mulher. 

o interessante aqui foi ter a certeza cada vez maior que o desentulhar é físico e também espiritual. conforme eu identificava todas as coisas que eu tinha que eu na verdade não queria e/ou não gostava e/ou não usava, também comecei a sinalizar que tipo de vida eu queria ter e que tipo de vida eu realmente tinha. percebi que muitos dos padrões de sucesso que eu via meus pais (e a grande maioria das pessoas) tentando alcançar desde minha infância não me traziam felicidade nem sensação de realização, então por que eu estava seguindo esse padrão? se eu não acho que coisas me fazem feliz, por que eu tinha tantas delas? se o jeito que meus pais e a sociedade num geral vivem não me agrada, o que me impede de ser diferente? foi aí que comecei o processo de desentulhar minha vida, minha mente e meu espaço pessoal. as roupas, que eu sempre amei, também tinham que passar por isso. meu guarda-roupa está cada vez mais prático e minhas escolhas estão mais fáceis (sim, mesmo com essa ideia doida de repetir roupa a semana toda). 

3. daí pra virar motivo pra falar de moda foi um passinho


finalmente sinto que meu estilo pessoal está on point, que minhas roupas cabem em mim, tem caimento legal e são confortáveis, combinam todas entre si e com meu estilo de vida, mas mais do que tudo isso, elas dizem um pouco sobre mim, elas formam um conjunto coerente da imagem que eu quero passar, e eu passei a realmente entender como eu me visto, as escolhas que eu faço, as escolhas que fiz no passado. quanto mais eu desapegava das roupas, mas eu sentia uma mensagem legal nas roupas que sobravam, mais bem vestida eu me achava, e menos vontade de comprar roupas eu tinha. aí virou menos vontade de comprar tudo no geral, o que não foi difícil porque eu já tinha parado com os esmaltes e maquiagens, roupas e outras tranqueiras foi apenas a evolução natural. e foi assim que eu cheguei aqui, no meu ano em que nada entra na minha casa que não seja necessário.

e foi pensando em tudo isso, mas de uma maneira menos organizada e clara, que decidi que queria registrar essa minha mudança, aprender mais sobre tudo isso que eu tava pensando e vivendo, e aproveitar pra mostrar que a gente consegue ser mais criativa com nossas roupas sem precisar encher nossos armários.

já comentei outras vezes que meu caminho está no começo, mas o importante é que estou caminhando, e que tem gente comigo, me ensinando, me acompanhando e me incentivando! obrigada a todos, amigos, leitoras, que tão me ajudando nessa barra que é gostar de roupa e de consumo minimalista!

na semana que vem quero tentar falar mais sobre esse tal de consumo minimalista: o que é, onde vive, o que come - porque outra coisa que melhora quando a gente olha pro espaço que coisas desnecessárias tomam na nossa vida são as finanças; e que eu saiba todo mundo gosta de economizar um dinheirinho. não percam!

Um comentário:

nadia disse...

mel você é minha Marie kondo pessoal, versao menos xarope hahahha to aprendendo pacas sobre estilo e consumo sustentável por aqui, mas esse post foi o que mais me deu aquele TCHAN. amo a parte que você diz, parafraseando, "se nada disso me agrada o que me impede de ser diferente?". e não é que é assim mesmo??
serio, to amando os posts reflexivos nada pretensiosos intercalados aos de looks.
godspeed!