repete roupa!: semana 28 - vamos falar de coisa boa: sapatos

sexta-feira, 14 de julho de 2017

semana 28 - vamos falar de coisa boa: sapatos


eu recebo várias mensagens e comentários pedindo pra que eu escreva sobre sapatos. o que exatamente vocês querem que eu diga sobre sapatos eu não sei direito, então vamos começar pelo óbvio.

sapatos servem pra cobrir nossos pés e protegê-los das intempéries afinal nosso design é falho bagarai e não era pra gente ter realmente sobrevivido nesse mundo inóspito, mas aí a gente calçou uns sapatos e seguimos vivendo.


quando eu tive a ideia pra esse blog, lá em janeiro, não foi algo que eu pensei com calma, planejei.... dia 2 de janeiro me bateu a vontade, eu tava maravilhada pelas minhas leituras do blog da cait flanders e pela ideia de desassociar minha felicidade do consumo de coisas supérfluas, e queria começar LOGO. queria me sentir livre de comprar tranqueira IMEDIATAMENTE. não parei pra rever se eu tinha o que precisava e muito menos fiz reposição ou troquei sapatos gastos e velhos por sapatos novos pra que durassem o ano todo.

recentemente minha mãe olhou meus sapatos, se horrorizou com o estado de quase morte deles, e me presenteou com 3 pares - entre ele as botas prateadas que nunca mais tirei do pé. ela disse uma coisa que faz todo o sentido: uma mulher adulta e profissional precisa de sapatos adultos, não de sapatos de faculdade. mas sabe o que é muito difícil? achar o equilíbrio entre a adulteza toda de um par de sapatos e o conforto que eles vão proporcionar. é uma busca longa, e tô aqui nos meus quase 30 anos e achei poucos que cumprissem as exigências.

o único dos meus saltos que sobrou no armário

na real eu tive um grande desencantamento de sapatos, e senti que tava com um grupo confortável e prático de calçados que eram o que eu precisava pra dar minhas aulas, sair por aí pra curtir, ver e ser vista, etc. de uns três anos atrás pra cá eu me ative a uma demanda: conforto. eu vendi todas as minhas plataformas lindas, estampadas, bordadas, etc etc etc, mas que eu não conseguia usar pra andar um quarteirão. abri mão das minhas duas imitações da bota lita, do jeffrey campbell, que foram meu sonho de consumo MÁSTER durante quase dois anos até eu conseguir comprá-las. sabe as botas que a sophia usa em girlboss? então, são essas. elas eram lindas, gente, mas eu não conseguia andar. sapato que machucava aquele ponto do tornozelo em cima do calcanhar, sabe? desapeguei. sapato que não cabia direito, foi embora. sapato que eu tinha pra enfeitar o closet? adeusinho.


eu desapeguei geral, de muita coisa mesmo, mas os sapatos foram os mais fáceis. se eu não consigo andar com eles, pra que servem? mas o mais curioso é que se eu tinha tantos pares de sapatos belíssimos ainda que instrumentos de tortura, eu tive que comprá-los, né? quer dizer, eu já acreditei que sapatos tinham que ser fatais e esplendorosos e altos, né?

lembro com nitidez high definition do meu primeiro par de sandálias de plataforma; acho que eu tinha 11 ou 12 anos. minha mãe me comprou pro reveillón, e imagino hoje que se aquelas plataformas tivessem 3 centímetros de altura já é muito, mas o quanto eu amei aquele sapato, gente, não tem explicação. eu dormia com a caixa do lado do meu travesseiro, aberta pra eu poder olhar pras sandálias antes de adormecer e ao acordar. e eu queria muito que isso fosse apenas meu incrível e natural talento pra envolver meus leitores com um story-telling muito bem pensado, mas é apenas a verdade.

não muito tempo depois eu brincava de polícia e ladrão com meus tênis de plataforma, e olha que isso foi uns 15 anos antes da isabel marant lançar aquela tendência demoníaca que por aqui chamamos de "sneakers". desde sempre eu sonhava em ter um daqueles sapatos que a geri usava, com uma plataforma altíssima e a estampa da union jack.


depois teve sex and the city, que pra ser honesta eu nunca realmente entendi direito, mas uma mensagem que conseguiu completar seu caminho em direção ao meu cérebro foi a dos sapatos: um salto manolo blahnik nos pés e poucos problemas restam na vida de uma mulher. não consigo deixar de lembrar do episódio em que carrie anuncia que vai casar consigo mesma, apenas pra poder ganhar de presente um par de sapatos de preço ligeiramente excessivo.

toda as mensagens da cultura pop estavam me dizendo, desde minha infância: é nas alturas que estão as soluções dos seus problemas. a bem da verdade eu nunca realmente descobri quais eram esses problemas temíveis das quais as mulheres fugiam escalando saltos aterrorizantes, e acho que por isso acabei, nos últimos anos em que amadureci tanto e encontrei minha própria voz, os preterindo aos sapatos baixos, às sandálias rasteiras, ao conforto de um par de calçados que me acompanha em todas as situações e me impulsiona pra frente, ao invés de me colocar no alto mas sem conseguir se mexer.

e vocês? alguma relação especial com sapatos? alguma história de um sapato inesquecível? divide aqui comigo!

4 comentários:

Marcela Leandro disse...

Maravilhoso texto.

Kika Tankevicius disse...

eu sou dessas pessoas que nunca aceitou usar um sapato desconfortavel na vida. se eu boto no pé e sinto que ta pegando em algum lugar, não compro, não importa quão lindo ele seja nem o tanto que o vendedor jure que "vai lacear sim!" depois. sendo assim, praticamente só tive tenis e sapatilhas minha vida toda. tive ai uns 5 sapatos de salto comprados pra ocasioes especificas quando eu era jovem e acreditava que precisava de salto alto pra ficar elegante, mas afinal o que tem de elegante em andar igual uma pata manca a noite toda, cair descendo do onibus (true story) e estar descalça as duas da manhã? eu bem diria que nada, então vendi todos meus saltos tbm.
esses dias tava contando pro meu namorado que quando eu era criança a unica coisa que eu aceitava botar no pé era um tenis da bibi, todo branco, de furinhos, e o comentario dele foi "deve ser por isso que vc comprou esse adidas branco aí, é bem parecido com o bibi" e bom, freud explica hahaha

leticia disse...

eu amo sapatos! me apego a eles por sempre ser difícil encontrar o tamanho perfeito pro meu pé e que não machuque. Acho que aprendi a gostar tanto de sapatos quando minha prima falou que, ao contrário das roupas, se ela engordasse, os sapatos continuaram servindo, por isso ela investia mais em calçados. (:

Consuelo Hernández disse...

Há alguns anos eu usava saltos todos os dias por meu trabalho. Caminhava muito na rua por causa dele. Não era torturante para mim, eu amava e me sentia feminina. Mudei de país e de vida. Agora universitária não uso mais e nem consigo usar. Só tenho tênis, mas aprendi a me sentir feminina também com eles.

PS. Em defensa de Carrie para ela não ficar como uma mulher banal que só quer sapatos caros. Nesse capítulo há toda uma história do porque ela fala que vai se casar para ganhar uns sapatos carissimo. A moral que esse capítulo me deixou é que você tem que respeitar o que ama, independente do que ele seja, de uns filhos ou um par de sapatos...