repete roupa!: semana 42 - sobre não gastar dinheiro e aprender a ter o suficiente

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

semana 42 - sobre não gastar dinheiro e aprender a ter o suficiente


a primeira vez que eu ouvi falar sobre diminuir o consumo radicalmente foi quando descobri a great american apparel diet - uma iniciativa de uma galera de ficar 1 ano sem comprar roupas. quando eu descobri o blog, muitos já tinham terminado o ano da proibição, alguns tinham abandonado a ideia, alguns continuavam depois de dois ou três anos... o que mais gostei foi ler de uma das mulheres que tinha terminado o ano sem comprar nada que quando ela finalmente pôde sair pra comprar roupa, nada do que ela viu nas lojas a atraiu. ela não sentiu que precisava ou queria nada daquilo. e eu pensei UAU imagina não querer comprar roupa.

tentei começar imediatamente. UM ANO SEM COMPRAR ROUPA. durou uma semana. tentei de novo com menos ambição 3 MESES SEM COMPRAR ROUPA durou 3 dias. então mudei o foco: não comprar mais roupas feitas em países cujas condições de trabalho eram provavelmente precárias. isso rolou por um tempo, até porque a renner tem bastante coisa made in brazil, mas uma hora não me satisfez mais. voltei pra dinâmica de comprar qualquer coisa que aparecesse na minha frente.


foi bemmmm depois que fiquei sabendo da jojo e seu um ano sem zara. quando conheci o blog ela também já havia terminado seu desafio e o primeiro post que vi era sobre compras internacionais. fiquei meio frustrada, não era o que eu tinha procurado, não era o que eu queria. só fui visitar o uasz de novo no comecinho desse ano, quando me encantei pelo blog, pela estética das fotos (bem mais simples que a blogueira padrão brasileira, néam) e fiquei super inspirada, junto com as leituras da cait flanders, a criar meu projeto e meu blog.

a cait flanders também ficou um ano sem comprar. sem comprar NADA. roupa? não pode. sapato? não pode. esmalte? não pode. decoração? não pode. vela cheirosa e incenso? não pode. café do starbucks? não pode. bijuteria? não pode. porrinhas eletrônicas? não pode. jantar fora? não pode. livro???? NÃO PODE!

NÃO PÓÓÓÓDJI!!!!!

achei o máximo??? imagina um ano inteiro sem comprar fofura inútil na daiso? sem comprar enfeitinho pra casa? gravura, ilustração, quadro? livro minha gente um ano sem comprar livro. topei. topei topei topei.

assim como a cait flanders, preparei minha lista de compras pré-aprovadas (um sofá, coisas de manutenção do carro, umas outras traquitanas). acabei eliminando muitas coisas da lista, desisti de comprar várias, gastei dinheiro só no que era realmente necessário - ou seja, meu carro tem pneus novos, mas eu ainda não tenho um sofá.

a cait flanders chama isso de mindful consumer - ser um consumidor com consciência. é diferente da nossa ideia de consumo consciente, que foca mais no consumo de produtos feitos de maneira a não prejudicar o ambiente e etc. o mindful consumer que a cait flanders descreve é aquele consumidor que pensa sobre o que está consumindo - preciso disso? é uma necessidade ou um desejo? tenho dinheiro pra pagar? tenho onde guardar e tenho tempo para a limpeza ou manutenção desse objeto? eu traduzi como consumo minimalista porque é o que o estilo de vida minimalista prega: ter/consumir/comprar o suficiente, e somente se for agregar algo a sua vida naquele momento.*

então eu decidi que minha jornada rumo a ser uma mindful consumer, ou uma consumidora minimalista ia começar assim: 1 ano sem comprar supérfluos, 1 ano repetindo roupa.

o que eu POSSO COMPRAR esse ano:

  • comida (claro)
  • produtos de higiene apenas quando acabarem: papel higiênico, shampoo, condicionador, sabonete, desodorante, hidratante
  • produtos de limpeza, apenas quando acabarem
  • coisas que precisem ser repostas porque estragaram (a matilda comeu meu par de botas, comprei botas pra repor. também troquei os pneus do meu carro e fiz outras manutenções necessárias. cifão para pia. enfim, coisas às vezes planejadas e às vezes inesperadas)
  • materiais pra dar aula (comprei fantochinhos de bichos, papéis coloridos, etc)
  • mensalidade do spotify/aluguel/internet, créditos de vez em quando pro celular


o que eu NÃO POSSO COMPRAR esse ano:

  • roupas, bolsas e sapatos (comprei sapatos pra repor pares que doei e que estragaram)
  • calcinhas e meias
  • cosméticos, esmaltes, produtos de beleza e cabelo
  • objetos de decoração (plantas inclusas), abajures, quadros
  • coisas da daiso
  • livros
  • discos
  • coisas de cozinha
  • material de escritório (canetas, papel sulfite, papel rascunho, etc - tenho muito guardado e preciso usar tudo)
  • lente de contato e coisas relacionadas
  • cinema
  • bijuterias e óculos de sol
  • celulares, computadores, porrinhas eletrônicas no geral
  • tv a cabo, celular pós pago, apps pagos no celular, coisas gerais na internet
  • presentes pros outros (a não ser algo simbólico ou que eu saiba que a pessoa quer)
na minha lista pré-aprovada de compras sobraram renovar habilitação e passaporte e comprar um sofá - desisti de todos os outros itens fora trocar os pneus do carro e manutenção geral do automóvel (gastos que odeio ter, mas, né, tenho, e passam a ser prioridade).


posso aceitar presentes, claro, mas só os mantenho se realmente vejo uso para eles. tudo que não gosto, não uso, não cabe, não combina com nada, eu doo ou dou de presente pras migas. pra cada coisa que entra na minha casa, especialmente no meu guarda-roupa, algo tem que sair. e normalmente desapego de mais coisas do que ganho/compro, então tenho me saído bem no lema.

mas, melzinha, por que raios você está fazendo isso?

bom. gente, eu queria porque queria sentir o que aquela moça que citei no começo do texto sentiu: que roupa nenhuma em loja nenhuma era boa o suficiente pra ela gastar o dinheiro dela. depois, quando conheci a cait flanders, essa vontade aumentou pra algo ainda maior: eu queria conseguir sentir que nada da minha felicidade estava atrelada a coisas que eu podia comprar. não estou dizendo que ter dinheiro pra viver confortavelmente não é bom, não estou afirmando não estar em uma posição privilegiada de alguém que estudou nas melhores escolas e tem um emprego estável. mas eu queria entender que não era usando isso pra encher minha vida de quinquilharia que eu me sentiria satisfeita ou feliz.

eu queria exercitar minha capacidade de ter o suficiente: dinheiro o suficiente, roupas o suficiente (embora eu ainda tenha muito mais roupas do que seria considerado o suficiente), amigos o suficiente, pessoas o suficiente lendo o que escrevo e compartilhando suas ideias comigo....

e aí, melzinha, e quando o ano acabar?

bom, eu já decidi que vou estender meu ano sem comprar supérfluos pra dois anos. o que quero fazer de diferente em 2018 é, principalmente, acompanhar os gastos que eu tiver e as coisas que eu, eventualmente, comprar. quero poder saber quanto de cada coisa eu realmente preciso e uso - quanto desodorante eu uso por ano? e quanto shampoo? papel higiênico? quanto eu gasto com comida por mês? e com a matilda, minha cachorra?

na minha lista de compras pré-aprovadas, vou manter o sofá e adicionar um celular (o meu está num estado, gente, que vocês sentiriam vergonha alheia de mim). renovar habilitação e passaporte também seguem como prioridade. de resto, acho que, caso sobre um dinheiro, um tempo, e uma ideia genial de onde colocá-los, molduras pros meus quadros talvez entrem nas possibilidades. e vou me permitir comprar roupa caso ache aquela coisa maravilhosa por acaso passando na frente de algum brechó - mas tem que ser em brechó, e não vou poder sair pra "um dia de compras". pensando em estipular um valor máximo pra gastar nesse tipo de compra, mas não decidi ainda.

pro futuro, também, quero rever minha relação com o consumo de comida, quero comprar produtos de higiene e de limpeza que sejam veganos e sustentáveis, quero talvez não ter mais carro e morar em algum lugar mais barato, quem sabe cozinhar mais, um dia ter uma horta...... o mais louco de ter começado isso é o número de possibilidades que me abriu, sobre as quais eu não realmente pensava antes. às vezes a gente precisa da motivação certa pra ver nossas vidas com outros olhos, especialmente nossas dinâmicas de consumo. mas a verdade é que não dá pra mudar nossa vida sem, né, mudar nossa vida. eu comecei assim, com consumo minimalista. e você?

e o que vocês gostariam de ver por aqui nos posts futuros? ideias para quem quer começar seu ano sem comprar supérfluos mas não sabe como? posts sobre meus gastos, finanças e economia? desentulhar a casa, liberar espaço, desapegar do que não nos é necessário? me conta aí!






*(acho que o passo seguinte é o consumo consciente como o conhecemos, afinal, se paramos e nos perguntamos sobre o que vamos comprar, é natural que queiramos saber sobre a origem e o impacto daquele produto. ainda assim, consumo consciente é diferente de consumo minimalista e eles podem existir separadamente, embora levem um ao outro).

8 comentários:

Fernanda Alves disse...

Taí, Melzita, uma ideia que me deu vontade de seguir. Confesso que na época que conheci o UASZ, só consegui pensar que se eu tivesse aquelas peças incríveis no guarda roupa, também não precisaria comprar mais nada por um bom tempo... entende? Eu com as minhas roupinhas da Zara e da Renner, a moça com uma Chanel original.
Mas então, eu ainda compro muito mais por quantidade do que por qualidade, e a verdade é que, depois de um tempo, isso cansa um pouco. Cansa porque as coisas não duram. Eu tenho me preocupado mais com lixo e com o destino que as coisas que "não servem mais" têm.
Vou pensar em uma forma desse desafio funcionar pra mim :)

Ah! E não consegui abrir o link da Cait Flanders :(

Bjs

mel disse...

consertei o link, fê! depois me diz se conseguiu criar uma versão do desafio que serve pra vc (imagino que com marido e filho a história é ooooutra)

juliana braga de oliveira disse...

Caraca!!! Eu tava pensando isso tudo o que vc postou!Eu gasto muito dinheiro, com coisas que eu gosto, mas que n s essenciais na minha vida.Essa experiência de nao querer comprar nada, deve ser incrível! De encontrar a felicidade nas coisas simples. Veja vc, eu estudo perto da praia , no RJ mas n consigo ter tempo de ir la molhar os pes. Realmente e isso o que eu busco pra minha vida: simplicidade.

Camis Oliveira disse...

Mel, eu mudei muito minha forma de consumir também, mas não cheguei a parar de comprar definitivamente. Hoje compro muito menos do que antes e penso mais de onde vêm as coisas que eu compro. Às vezes sinto vontade de comprar coisas compulsivamente? SIIIIM. Mas eu adquiri o hábito de pensar duas vezes, e como isso muda tudo! Desisto de 90% das compras. Quando li teu post fiquei pensando em quando foi a última vez que comprei uma roupa em fast fashion e descobri que foram 3 pares de meias algumas semanas atrás, tirando isso eu NÃO LEMBRO. Comprei um colete de brechó numa feirinha esses tempos, e quando preciso dou preferência pra comprar de uma amiga minha que tem uma marca de roupas (então sei de onde vem, quem faz e o valor que tem). Mas confesso que tenho muita vontade de ficar um tempo sem comprar o que não preciso, por muitos motivos. Quero me satisfazer com ainda menos do que tenho, também quero sentir que minha felicidade não depende de coisas (aliás, esse vai ser o tema do meu TCC), quero produzir menos lixo, causar menos impacto no planeta. Sempre é bom ler o teu blog, porque dá uma "refrescada" em o quanto ainda dá pra consumir menos haha <3 Dá dicas de como começar?

Bruna Matos disse...

Mel, que sensacional esse post e essa proposta! Em 2013 fiquei um ano sem comprar e foi uma experiencia incrivel. Eu quero poder fazer novamente algo assim... Talvez ano que vem? Não sei! Vou amadurecer a ideia mas seu post me inspirou muito! Quero viver uma vida cada vez mais consciente!

Beijão!

Simplicidade e Harmonia disse...

Melody,

Gostei do termo "mindful consumer" e também de sua lista "não posso comprar", que será muito útil para mim.
Às vezes exagero em algumas compras (principalmente livros, que acabo até nem lendo).

Para mim, o consumo consciente também é importante, pois o planeta não aguenta mais tanta exploração.
Ao mesmo tempo, o marketing tão agressivo da atualidade induz ao consumo cada vez frequente e mais intenso, o que vai de encontro à sustentabilidade que precisaria estar cada vez mais presente na vida de todos nós.
A cadeia produtiva completa (desde a captação de insumos até o descarte final) é totalmente ignorada pelos consumidores, pois fomos doutrinados a pensar apenas na compra, satisfação momentânea com o produto e descarte, sem pensarmos nos impactos ambientais anteriores a fabricação e posteriores ao descarte no lixo comum. Aí começa outro problema, pois produzimos muito lixo...

Se quiser conhecer meu blog, seja bem-vinda!

Abraços,

leonardo rosa disse...

Bom dia, gostei das sua listas.

Eu só tiraria cinema e livros, pois não creio que sejam produtos de pessoas consumistas.

Ao contrário das compras em geral, só de ir ao cinema, você já fica feliz, e quando o filme é bom, vale muito a pena.

E um bom livro também, dá pena de acabar de ler.

Gostei dessa parte "pra cada coisa que entra na minha casa, especialmente no meu guarda-roupa, algo tem que sair. e normalmente desapego de mais coisas do que ganho/compro, então tenho me saído bem no lema."

Eu também, quando tem coisas demais, afeta o psicológico.

Como falaram acima, quando fazemos questão de ter poucas coisas, prezamos muito mais a qualidade.

Abraços

Tati disse...

Nossa que loucura, estava pensando sobre isso esses dias. Depois que fui demitida de um trabalho de clt e segui apenas como autônoma, minha consciência sobre gasto mudou bastante, mas ainda tenho 5 minutos de sair e comprar coisas que nem preciso, faço isso tao automaticamente que depois fico até confusa, tenho que trabalhar mais isso.
Dentro de casa o consumo minimalista ja esta melhor, somos veganos entao muitos produtos de higiene e limpeza diminuiram muito.
Por exemplo usamos um sabonete liquido para lavar rosto, corpo, cabelo, etc.